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Fator R na prática: quando o Anexo III compensa

Junior Garcia30 ago. 20265 min de leitura

O Fator R é a conta que decide se a sua empresa de serviço paga 6% (Anexo III) ou até 15,5% (Anexo V) de imposto no Simples Nacional logo na primeira faixa. A diferença não é sutil — e a maioria das empresas que paga a mais nem sabe que está pagando.

A fórmula, sem enrolação

Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses (salários + pró-labore + encargos, o chamado RBT12 da folha) dividida pelo faturamento dos últimos 12 meses (RBT12 da receita). O resultado é um percentual. Se esse percentual for igual ou maior que 28%, a empresa tributa pelo Anexo III (mais barato); abaixo disso, cai no Anexo V.

Por que isso pega tanta empresa de surpresa

Porque o Fator R não é fixo — ele é recalculado todo mês, olhando os últimos 12 meses acumulados. Uma empresa que estava confortavelmente acima de 28% pode cair abaixo se o faturamento subir mais rápido que a folha (contratou pouco, faturou muito), e o contrário também é verdade: quem contrata gente nova pode "subir" de Anexo V para Anexo III sem ter mudado nada além da folha.

Exemplo com números redondos

Empresa de serviço com receita acumulada de R$ 480.000 nos últimos 12 meses e folha (salários + pró-labore + encargos) de R$ 120.000 no mesmo período:

Fator R = 120.000 ÷ 480.000 = 25% — abaixo de 28%, cai no Anexo V.

Se essa mesma empresa aumentasse a folha para R$ 134.400 (mantendo a receita em R$ 480.000):

Fator R = 134.400 ÷ 480.000 = 28% — bate o mínimo e migra para o Anexo III.

Só essa diferença de R$ 14.400 na folha acumulada de 12 meses pode significar uma alíquota efetiva bem menor sobre toda a receita do período seguinte — o cálculo exato depende da faixa de faturamento de cada empresa, mas a lógica da migração de anexo é essa.

O pró-labore é a alavanca mais rápida

Contratar funcionário aumenta a folha, mas também aumenta custo fixo (FGTS, férias, 13º, rescisão futura). Para quem tem margem de decisão, ajustar o pró-labore do sócio é o jeito mais direto de mexer no numerador da conta sem assumir encargo trabalhista novo — desde que o valor faça sentido para a atividade e não vire só uma manobra artificial de última hora, porque o Fator R olha 12 meses, não o mês da apuração.

Quer saber se o seu Fator R já compensa o Anexo III?

Manda sua folha e seu faturamento dos últimos 12 meses — a gente faz a conta com os números reais da sua empresa, não com exemplo genérico.

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O que conferir antes de decidir qualquer coisa

A conta é simples de fazer — o difícil é lembrar de fazer ela todo mês, porque o Fator R que valia em janeiro pode não valer mais em junho sem que nada tenha "mudado" na empresa além do tempo passando.

✔ Benefício de cliente Garcia: a equipe acompanha seu RBT12 e sua folha mês a mês e avisa quando o Fator R está perto de virar — não espera você descobrir na apuração do mês seguinte que pagou mais do que precisava.

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