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Abrir duas empresas para fugir do IR sobre lucros acima de R$ 50 mil: por que a conta não fecha

Junior Garcia16 jul. 20267 min de leitura

Desde 2026, lucros acima de R$ 50 mil por mês têm retenção de 10% de IR na fonte — e a "solução" que se espalhou em grupo de empresário, de afiliado e de médico foi a mesma: "abre um segundo CNPJ e divide a retirada, que o imposto some". A retenção mensal até some. O imposto, não: ele volta inteiro no ajuste anual, que soma tudo no seu CPF — e a estrutura com dois CNPJs ainda pode sair mais cara que a original.

Neste artigo, a regra em duas camadas (retenção mensal × imposto mínimo anual), a conta na ponta do lápis de quem divide em dois CNPJs, os riscos que quase ninguém comenta — e o que funciona de verdade para pagar menos dentro da lei. Vale para afiliado que escala comissão, prestador de serviço, clínica ou comércio: a regra é a mesma para todo mundo.

Neste artigo

  1. A nova regra em 2 camadas: fonte e ajuste anual
  2. A tese dos dois CNPJs: o que ela evita (e o que não evita)
  3. A conta na prática: 1 CNPJ × 2 CNPJs
  4. Onde a estrutura sai mais cara
  5. O que funciona de verdade
  6. Perguntas frequentes

A nova regra em 2 camadas: fonte e ajuste anual

A reforma do IR criou duas cobranças diferentes sobre lucros distribuídos ao sócio pessoa física — e é justamente por serem duas que a tese dos dois CNPJs quebra:

Camada 1 — Retenção mensal na fonte (por CNPJ)

Quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil de lucros no mês a um mesmo sócio, retém 10% de IR sobre o valor pago. A apuração é por empresa pagadora: duas empresas pagando R$ 40 mil cada não retêm nada.

Camada 2 — Imposto mínimo anual (por CPF)

No ajuste anual, a Receita soma tudo o que o seu CPF recebeu — lucros de todas as empresas, de todos os CNPJs. Passou de R$ 600 mil no ano, entra o imposto mínimo (IRPFM): a alíquota cresce gradualmente de 0% até 10%, teto que vale a partir de R$ 1,2 milhão por ano. O que foi retido na fonte durante o ano vira crédito: abate do imposto devido e, se sobrar, é restituído.

A frase que resume o artigo: a retenção mensal olha o CNPJ que paga; o imposto anual olha o CPF que recebe. Não existe quantidade de CNPJs que mude o que entra no seu CPF.

A tese dos dois CNPJs: o que ela evita (e o que não evita)

Quem divide a retirada entre duas empresas de fato escapa da retenção mensal — cada CNPJ paga abaixo de R$ 50 mil e nada é retido. Só que a retenção não é o imposto: é uma antecipação dele. O imposto de verdade é o do ajuste anual, e nele os lucros das duas empresas se somam no seu CPF como se fossem um só.

Resultado: quem recebe, no total, mais de R$ 600 mil no ano paga o imposto mínimo do mesmo jeito — só que tudo de uma vez, na declaração, sem ter antecipado nada. A "economia" da retenção vira um boleto concentrado (e um susto de caixa) no ano seguinte.

A conta na prática: 1 CNPJ × 2 CNPJs

Sócio que retira R$ 80 mil por mês em lucros — R$ 960 mil no ano. Nessa faixa, a alíquota do imposto mínimo anual fica em 6%:

1 CNPJ (R$ 80 mil/mês)2 CNPJs (R$ 40 mil + R$ 40 mil)
Retenção na fonteR$ 8 mil/mês (R$ 96 mil no ano)R$ 0
Imposto mínimo no ajusteR$ 57,6 mil (6% de 960 mil)R$ 57,6 mil (6% de 960 mil)
Acerto na declaraçãoRestitui R$ 38,4 mil (crédito da fonte)Paga R$ 57,6 mil de uma vez
Imposto final no anoR$ 57,6 milR$ 57,6 mil + custos da 2ª empresa

O imposto final é idêntico. A única coisa que os dois CNPJs mudaram foi o fluxo de caixa — e, em troca, a estrutura passou a carregar contabilidade dobrada, taxas dobradas e os riscos do próximo tópico. Acima de R$ 1,2 milhão por ano a comparação fica ainda pior: a alíquota anual é os mesmos 10% da fonte, ou seja, a fuga não economizou um centavo.

Quer saber quanto o novo IR pega no seu caso?

Manda quanto você retira por mês — a gente simula retenção, imposto mínimo anual e mostra a estrutura mais econômica dentro da lei. Primeira conversa gratuita.

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Onde a estrutura sai mais cara

Além de não reduzir o imposto, o segundo CNPJ aberto só para dividir retirada costuma adicionar custo e risco:

Ter mais de uma empresa é perfeitamente legal quando cada uma tem operação real — e há casos em que a estrutura se justifica. O que não para em pé é abrir CNPJ para driblar uma retenção que, no ajuste anual, volta inteira.

O que funciona de verdade

O novo IR sobre lucros tem alavancas legítimas de planejamento — e nenhuma delas é um segundo CNPJ de fachada:

✔ Na Garcia, a gente simula o seu ano inteiro — retiradas, retenção, imposto mínimo e redutor — antes de você decidir qualquer estrutura. Se um segundo CNPJ fizer sentido de verdade (operação nova, sócios diferentes, atividade separada), a gente monta. Se for só fuga de retenção, a gente mostra a conta e te poupa o prejuízo.

Perguntas frequentes

Abrir duas empresas evita o IR sobre lucros acima de R$ 50 mil?

Evita só a retenção mensal na fonte, que é apurada por CNPJ. O imposto de verdade é o do ajuste anual, apurado no seu CPF somando os lucros de todas as empresas: passou de R$ 600 mil no ano, incide do mesmo jeito. Dividir em dois CNPJs só muda quando você paga — e adiciona custo e risco.

Como funciona a retenção de 10% sobre lucros desde 2026?

Quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil de lucros no mês a um mesmo sócio pessoa física, retém 10% de IR sobre o valor pago. O retido vira crédito no ajuste anual: abate do imposto devido e, se sobrar, é restituído.

O que é o imposto mínimo anual (IRPFM) de R$ 600 mil?

É o ajuste criado pela reforma do IR para altas rendas: quem recebe acima de R$ 600 mil no ano (somando todas as fontes) paga alíquota que cresce de 0% até 10% — teto a partir de R$ 1,2 milhão por ano. A apuração é por CPF, não por empresa.

Ter duas empresas é ilegal?

Não — desde que cada uma tenha operação real. O problema é fatiar a mesma atividade em dois CNPJs só para escapar de imposto: a Receita pode tratar como simulação e autuar com multa qualificada. E sócio com mais de 10% em duas empresas soma os faturamentos para o limite do Simples.

Lucro que fica na empresa paga o novo IR?

Não. A tributação nova incide sobre lucro distribuído ao sócio pessoa física. Lucro retido na empresa para reinvestir não paga — por isso planejar quanto e quando distribuir vale mais do que abrir um segundo CNPJ.

Antes de abrir o segundo CNPJ, faça a conta

A gente simula seu cenário com e sem a nova estrutura — imposto, custos e riscos lado a lado — e você decide com número, não com dica de grupo.

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